Google lança serviço de entrega por drones na Austrália

Os jovens já não são “um grupo a quem a história acontece”. Agora, fazem a própria história


Startup do Google lança serviço de entrega por drones na Austrália

Empresa antecipa-se à Amazon e os drones vão entregar café, produtos de supermercado e alguns medicamentos.

Os drones autónomos da Wing, uma startup da empresa-mãe do Google, a Alphabet, vão começar fazer entregas em alguns subúrbios de Camberra, na Austrália.

Os jovens já não são “um grupo a quem a história acontece”. Agora, fazem a própria história

The Wing company, a Google spinoff, has won federal approval to operate its drone delivery system as an airline in the U.S.

Os moradores a viver nas redondezas da capital vão poder encomendar café, alguns medicamentos e refeições de restaurantes e supermercados através de uma aplicação móvel. As máquinas vêm equipadas com algoritmos de inteligência artificial para encontrar o local mais conveniente para depositar as encomendas, evitando obstáculos como prédios, árvores e linhas de electricidade.

Inicialmente, o objectivo da Wing era transportar equipamento de emergência médica, como desfibrilhadores, a pessoas a sofrer ataques cardíacos. Só que depressa a equipa percebeu que a integração de dispositivos médicos no sistema seria um desafio adicional, quando era preciso, primeiro, desenvolver uma tecnologia de drones segura e de confiança. Os testes de drones começaram em 2012, altura em que o projecto fazia parte do X, o laboratório de incubação do Google (responsável, também, por balões de ar quente que levam Internet a zonas remotas).

“O foco da Wing foi reorientado para redesenhar o sistema para transportar pequenos pacotes em situações do dia-a-dia”, explica a equipa, num comunicadopublicado no blogue da empresa.

Um dos objectivos da Wing é reduzir as emissões de gases poluentes na atmosfera PROJECT WING
De entre a gama de entregas possíveis, as refeições quentes foram dos maiores desafios. “É um caso excelente para testar a tecnologia de entrega por drones, porque é frágil e sensível a diferentes temperaturas, tendo de ser entregue de forma rápida e cuidadosa”, explicam os investigadores. Dizem que o objectivo é “aumentar o acesso a bens, reduzir o trânsito em cidades congestionadas, e ajudar a diminuir as emissões de dióxido de carbono gerado pelo transporte de mercadorias.”

Os aparelhos da Wing são capazes de voar até 120 quilómetros por hora, através de um sistema eléctrico.

O novo serviço de entregas tem a aprovação da Autoridade de Aviação Civil Australiana (CASA), que define um período para as entregas entre as sete da manhã e as oito da noite em dias de semana. Embora, o serviço seja autónomo, deverá haver sempre um piloto de drones pronto a intervir à distância.

No futuro, a Wing quer lançar o seu projecto na Finlândia, onde estão a realizar testes desde Dezembro.

Com o novo serviço, a empresa adiantou-se à Amazon, que está a trabalhar num serviço de entrega via drones desde 2013. O plano era ser lançado em 2018, mas teve de ser adiado, devido a desafios relacionados com o tempo de vida da bateria e a legislação para os aparelhos.

Na União Europeia, a França, Dinamarca e Holanda são alguns dos países a trabalhar na criação de regras para drones civis, numa iniciativa chamada U-Space. Faz parte da visão europeia para um controlo de tráfego aéreo de drones seguro e eficiente.

O uso de drones no espaço aéreo já causou problemas, como o encerramento de pistas de aeroportos (algo que aconteceu no aeroporto de Gatwick, no Reino). Em Portugal, também já existiram vários aviões obrigados a alterar rotas devido a drones a sobrevoar nas proximidades do aeroporto.

Desde 2016 que os serviços de correio franceses têm aprovação da autoridade de regulação aérea do país para um serviço semanal de entrega por drones.

Em Portugal, a startup portuguesa Connect Robotics simulou a possibilidade de entregar correio por drone, numa distância de três quilómetros, em 2017. Na altura, os CTT frisaram que não estavam a considerar o uso desta tecnologia, e que os voos eram apenas “demonstração de produto” inserida na estratégia de inovação dos Correios de Portugal.

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